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Gatilhos emocionais usados como escudo

  • Foto do escritor: Aeluriah
    Aeluriah
  • 30 de jun. de 2025
  • 1 min de leitura

Atualizado: 12 de nov. de 2025

Virou moda avisar sobre “gatilhos emocionais” antes de qualquer assunto espinhoso, como se um aviso pudesse higienizar a experiência humana. Mas muitas vezes o alerta não é sobre o outro. É um escudo do próprio autor.


No fundo, o “trigger warning” virou um álibi elegante pra não se comprometer com o que se diz. Quem avisa se protege: coloca o aviso como um escudo entre a palavra e qualquer repercussão. “Falei, mas avisei”, como se a dor do outro fosse um entrave burocrático, não uma relação real com o que está sendo dito.


A intenção original de cuidado e acolhimento foi sequestrada pela conveniência de não se responsabilizar. É confortável: o aviso me permite tocar em qualquer tema sem lidar com o impacto, sem entrar na carne da conversa, sem me sujar com a bagunça que toda comunicação viva carrega. O gatilho cria uma zona neutra. Uma sala de espera emocional onde ninguém se compromete de verdade.


No fim das contas, a banalização do alerta anestesia o encontro. Ou a gente se blinda tanto que nada mais atravessa, ou trata tudo como ferida exposta que precisa ser protegida do vento. Esquecemos que crescer dói, que conversar machuca, que viver é tropeçar em gatilhos o tempo todo. Porque sentir é inevitável, não é exceção.


O problema não é o cuidado. É o conforto excessivo. O gatilho virou desculpa pra não encarar a responsabilidade de provocar, de ser atravessado, de bancar o que se diz. Mas palavra que só circula vestida de escudo não transforma. Só passa de lado. Sem tocar de verdade.


Só uma reflexão.


— Aeluriah

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