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A Liberdade que não é Livre

A Liberdade que não é Livre


A gente cresce ouvindo que é livre. Livre pra escolher o que comprar, o estilo que vai ter, a vida que quer viver. Mas será que essa liberdade é real? Ou a gente só aprendeu a amar a coleira porque ela é colorida?


O sistema é genial nisso. Ele não precisa mais de grades. Em vez disso, convenceu a gente de que estamos num parque de diversões. O mercado oferece mil opções, mas todas dentro do mesmo cercado. A gente escolhe entre 50 marcas de celular ou 30 estilos "alternativos" e jura que isso é ter personalidade. No fim, é só uma forma mais esperta de manter todo mundo ocupado no mesmo lugar.


O que mais me pega é ver como até a rebeldia virou produto. Aquele estilo que era pra ser contra o sistema, a ideia que era pra chocar... tudo vira algo que dá pra comprar no shopping. A gente acha que tá abalando, que tá sendo "único", mas muitas vezes só tá seguindo outro roteiro pronto, feito pra gente se sentir especial enquanto continua jogando o jogo deles.


E o golpe final é esse: fazer a gente acreditar que não existe cercado nenhum. Que tudo o que a gente quer vem de dentro. Mas quando a gente para pra analisar friamente... quanto do que eu quero foi realmente eu que decidi? E quanto foi plantado na minha cabeça porque o mundo precisa que eu queira isso pra continuar girando?


Não tô falando isso como quem tá de fora, não. Eu tô aqui dentro também. Eu também compro, também desejo, também vivo nessa matriz. A vida acontece aqui e não tem muito pra onde correr. Não dá pra virar eremita e achar que isso resolve.


A questão não é fugir, é ter um pingo de lucidez. É, no meio dessa barulheira toda, tentar parar um segundo e perguntar: "Espera aí, quem ganha quando eu escolho isso?".


A liberdade possível talvez não seja sair do catálogo, mas pelo menos perceber que o catálogo existe. É conseguir olhar pro lado e ver a grade invisível. É saber que a gente tá dançando conforme a música, mas não se iludir achando que a música veio da gente.


É viver nesse mundo complicado, comprar coisas, ter desejos, seguir modas, mas sempre com uma pulguinha atrás da orelha. Sempre questionando. Não parar de viver, mas viver acordado. Talvez essa seja a única verdadeira rebeldia que sobrou.


— Aeluriah

1 comentário


Achei bem cirúrgica sua análise,

Realmente vivemos uma falsa liberdade, e poucos conseguem enxergar a gaiola da vida, onde tudo acaba sendo mais uma forma de manter-nos dentro da doutrina.

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